Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Por terras do Algarve

Começou a minha digressão pelas escolas, no ano lectivo 2010/2011.
No âmbito das comemorações do Dia das Bibliotecas Escolares (25/10), a convite de escolas de Vila do Bispo e Sagres e da Biblioteca de S. Brás de Alportel, estive no Algarve de domingo (24) a terça feira (26). Aproveitei a ida ao Sul para passar em Setúbal e ficar dois dias com a minha amiga de infância Lourdes Sendas (pintora de que vou falar numa próxima mensagem). Fui sexta .De manhã tinham sido vistos vários golfinhos no rio mas eu já não vi nenhum. No sábado fomos almoçar a Tróia sempre na esperança de ver algum golfinho, mas não. De qualquer maneira foi muito agradável. Gosto muito de Setúbal, ali junto ao Sado,  e de atravessar para Tróia.

No domingo parti para Lagos onde me tinham reservado hotel. Já há muitos anos que não ia a Lagos e foi muito bom rever a cidade. Outra cidade de que gosto muito. Fiquei muito bem impressionada com a simpatia das pessoas com quem contactei. Basta citar dois episódios. Cheguei à estação e não havia táxis. De imediato um funcionário me veio esclarecer que havia um telefone grátis para chamar o táxi. O taxista, quando lhe indiquei o hotel disse. Eu vou deixar a senhora junto à Praça de Táxis e ajudo-a a levar a mala. O  hotel é muito perto da praça de táxis.Se a levar de táxi até à porta do hotel, tenho que dar uma volta muito grande e fica-lhe muito caro.
Pousei a mala no hotel e fui passear. Comecei pela marina e depois entrei pelo arco da muralha




Subi até à fortaleza. Dali quis ir para a praça Gil Eanes ( a da polémica estátua de Cargaleiro, D. Sebastião) mas de imediato não me lembrei para onde devia deslocar-me. Pedi a informação a dois senhores que estavam à conversa junto da fortaleza e um deles disse. Eu tenho que ir para esses lados e acompanho-a. Foi um autêntico guia indicando-me os locais com interesse desde o mercado de escravos que já conhecia ao Centro Cultural que é relativamente recente, passando por igrejas e outros locais .


No dia seguinte, quando para me ir buscar, a bibliotecária Paula me pediu a localização do hotel, dei-lhe a indicação da praça de táxis e para lá me dirigi. Mal cheguei ouvi uma voz. As férias foram curtas. Era o taxista que ali ficou a conversar comigo até chegar a “boleia”.


Daí fui a Vila do Bispo e a Sagres, onde se encontrava a bibliotecária Ilda. Seguiram-se as actividades conforme o programa previamente fixado  mas ainda houve tempo para almoçar na cantina de uma das escolas e para tirar uma foto...

Terminadas as sessões, a Eugénia, que representava a Editora Gatafunho, levou-me a S. Brás de Alportel onde me apresentou à Bibliotecária, Teresa Oliveira, historiadora, de uma gentileza ímpar que me foi mostrar S. Brás, ao memo tempo que me contava a história da terra ao longo dos tempos e me mostrava os locais de interesse. Pensei que era são-brasense, mas não. Adora S. Brás mas nasceu e viveu muitos anos em Lourenço Marques, hoje Maputo. Falei-lhe então de uns primos meus, moçambicanos. Quando me referi a um deles perguntou: O Jorginho, muito alto, que faleceu há dois anos? Fomos colegas de faculdade e embora eu cursasse história e ele biologia éramos amigos .

O mundo é pequeno…




Uma rua de S. Brás

O programa incluía sessões com dois grupos de crianças
Por fim almoçámos num pequeno jardim da Biblioteca com professores e alunos. A sobremesa foi feita pelos mesmos. Salame de chocolate




Na mesa ao fundo, professores, crianças, a Teresa e eu.



 Na imagem a Olga da Biblioteca e a Eugénia.

Em todas as escolas os meninos me brindaram com surpresas: um poema que me é dedicado, ilustrações de poemas e um caleidoscópio feito por eles, que gotografei,  mas não sei por que artes, não ficou...

 




Em tempos, o grupo coral da aldeia, em Trás-os-Montes, tinha-me pedido uma letra para uma canção sobre as amendoeiras (que ali abundam, ou melhor, abundavam).
Não sei fazer versejar por encomenda mas escrevi umas quadras para cantar ao som de “Ao passar da ribeirinha”.

Resolvi adaptar o texto ao Algarve ( foi só mudar o refrão) e aí está a história da princesa triste que só se alegrou ao ver os amendoais floridos. Foi com esta história cantada que terminei as sessões (antes do tempo dedicado às questões colocadas pelo público, e que foram bastantes…)

Era uma vez uma princesa, era uma vez uma princesa,

vinda de um país distante, de neve muito abundante.

Chorava de noite e dia, chorava de noite e dia,

tinha saudades da neve que já há muito não via



Refrão

Seja lenda ou verdade, seja lenda ou verdade,


as flores da amendoeira embelezam o Algarve.


Com pouca neve para dar, com pouca neve para dar,

o rei doou à princesa um enorme amendoal.

Quando o amendoal floriu, quando a o amendoal floriu,

não mais chorou a princesa, pela primeira vez sorriu.

Regressei feliz e nem valorizei os percalços do regresso. Chegada à estação de Faro,  dirijo-me  à bilheteira  a fim de tirar bilhete para o Alfa directo ao Porto. Dizem-me que houve um acidente perto de Alcácer e por isso só quem já tinha comprado bilhete é que podia seguir. Tento tirar para o próximo, mas dizem-me que têm ordens para não tirar mais bilhetes seja em que comboio for. Fui à empresa de camionagem e a primeira camioneta partia por volta das 16,30 e chegaria ao Porto depois da meia noite. Seria uma violência, até porque de camioneta geralmente enjoo. Resolvi regressar à estação e esperar o desenrolar dos acontecimentos. Se nada se alterasse teria que regressar de camioneta. Dirigi-me de novo à bilheteira mas continuaram a dizer-me que só iriam ser transportados os passageiros que já tinham bilhete. Protestei mas respondiam-me que ali nada podiam fazer. Já em cima da hora a que devia partir o comboio, a funcionária veio dizer-me que a CP tinha encontrado uma solução. Todos os passageiros seriam levados até Grândola e daí seriam transportados até à gare do Oriente. Assim foi e cá cheguei, embora com 40 minutos de atraso. Os passageiros que se encontravam no Oriente estavam muito zangados e eu compreendo mas foi a solução que a CP encontrou

3 comentários:

  1. A viagem que descreves - comboio para Lagos - já a fiz várias vezes. É muito cansativa e a parte sul parece que nunca mais acaba....

    Posto isto, admiro a tua coragem em ir até lá fazer coisas bonitas , que os miudos nunca mais esquecerão.

    Adoro essa zona do Algarve. A costa vicentina é uma joia da costa portuguesa. Linda!

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  2. Que bonita descrição da viagem, apesar dos contratempos do regresso!!!!! E também que belo e útil o trabalho que foi efectuar!!!!!
    Também gosto muito de Lagos e então da costa vicentina nem encontro palavras para dela falar . É um espanto!!!!!!

    Um beijo.

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  3. Também adoro a costa vicentina. É pena ser tão ventosa.Ab
    Regina

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