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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A magia de Saturno

Nova teoria sobre a origem dos anéis de Saturno in Ciência Hoje 2010-10-07

Os anéis de Saturno podem ter surgido depois de um grande satélite, muito maior do que a maioria dos meteoros, ter colidido com a superfície rochosa e gelada deste planeta, acredita a investigadora Robin Canup, que apresentou a sua teoria à Associação Americana de Astronomia.
A cientista, para quem é preciso explorar novas alternativas, acredita que o choque foi suficientemente forte para deslocar parte do manto de Saturno, o que explica o facto de os anéis serem compostos basicamente por água.
De acordo com esta tese, uma lua gigante, dez vezes maior do que aquelas que as teorias actuais apresentam, poderia ter alterado o campo energético de Saturno ao ponto de ter separado a água das rochas. Depois disso, a água teria formado os anéis e as rochas teriam voltado ao planeta.
A origem dos anéis de Saturno é uma questão que absorve os especialistas há vários anos. Quase toda a estrutura é composta por água e gelo, havendo também pequenas pedras e poeira espacial que resultam dos choques com micro-meteoros.
Até agora, havia duas teorias que explicavam a composição destes corpos. De acordo com uma delas, um cometa de gelo decompôs-se ao aproximar-se de Saturno. A outra hipótese revela que pequenas luas foram absorvidas pelo campo gravitacional, acabando por ser destruídas e cercar o planeta.
Robin Canup espera agora provar a sua teoria até 2017, ano em que a sonda Cassini, que está a orbitar Saturno, será desactivada.
Saturno é conhecido desde a mais remota antiguidade: era o Cronos dos gregos (pai de Zeus – Júpiter). Mas só depois de Galileu, incrédulo, ter observado pela primeira vez os seus anéis em 1610, ficou conhecido como a “jóia do Sistema Solar”. Contudo, só Christiaan Huygens, em 1659, identificou correctamente a geometria dos anéis. Hoje sabe-se que todos os planetas gigantes possuem tais sistemas
Mais imagens de Saturno podem ser vistas em


A magia de Saturno e dos seu anéis tem inspirado poetas, uns maiores, outros menores.

Anillos De Saturno

Como piel de serpiente mudada

la inocencia, y más triste,
y estúpidamente predispuesto
a esa facultad privativa
de los seres -o dibujos- animados,
compadecerse, permitir
el saqueo a la ternura: está
maduro el corazón para creer
que el dolor te aureola
con los anillos de Saturno.
Aunque ya ni siquiera
puedes volar tras tu sombrero.
Juan Cobos Wilkins in  “Escritura o paraíso” 1998
Juan Cobos Wilkins es un poeta y escritor español nacido en 1957 en la localidad de Minas de Riotinto (Huelva). Es licenciado en Ciencias de la Información por la facultad de Ciencias de la Información de Madrid. Fue el creador de la Fundación Juan Ramón Jiménez



Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno

E quase ia morrendo com o receio de que ele não te coubesse no dedo.

Jorge Sousa Braga

Saturno

Usando a minha luneta observo o céu nocturno

e eis que me surge Saturno, um fabuloso planeta..

É de uma estranha beleza com os seus anéis gelados

que brilham iluminados.

Para o sistema solar é um planeta gigante

mas, ideia extravagante, poderia flutuar

se pousado em grande mar.

Fascina tanta grandeza deste infinito universo

em que o mundo está imerso.

Possui-me um grande fervor e agradeço ao Criador,

seja lá Ele qual for,

e agradeço a Galileu por me ajudar a olhar o Céu.
Regina Gouveia in Reflexões e Interferências


Anéis de Saturno

Pudera eu ir buscar a mancha vermelha de Júpiter.

Qual rubi, incrustá-la-ia num dos anéis de Saturno.

Obra prima de joalharia, talvez colorisse com alguma fantasia,

o meu universo, por vezes tão soturno.

Regina Gouveia

Também as artes plásticas e a música têm evocado os planetas, incluindo Saturno.
Melancolia 1 de Dürer

A imagem, em geral, reproduz um campo de ruínas(…) Ao redor da figura alada encontram-se, em desordem e espalhados pelo chão, os mais variados utensílios da vida activa, além de outros detalhes procedentes da tradição cultural (pedras transformadas em figuras geométricas, a figura de Eros, um calendário...); todos eles sem qualquer serventia e tornados objectos de uma meditação irada, insistente e infindável sob o furioso olhar dessa espécie de anjo. Ao fundo, os anéis de Saturno suspensos no céu reúnem o sol (ou a lua?), irradiando intensos feixes de luz(…)
Termino com Saturno da Suite “Os planetas” de Holst

Gustav Holst nasceu em Cheltenham (Inglaterra), em 21 de Setembro de 1874, filho de Adolph, um pianista de remota origem sueca, e Clara von Holst. Era uma criança anémica e de visão fraca. Entretanto, aos treze anos, já tinha lido o tratado de instrumentação de Berlioz. Aluno de Stanford no Colégio Real de Música, onde viria a ser professor de composição (1919), conheceu Vaughan Williams (1895), de quem se tornou grande amigo.
Original, dotado de uma forte personalidade e de um espírito curioso, interessou-se muito pelas civilizações orientais e pela literatura védica. Foi primeiro trombone na orquestra da Ópera Carl Rosa e na Ópera Escocesa e depois, organista da Ópera Real de Londres. Dedicado a maior parte de seu tempo ao ensino, restando-lhe pouco para a composição, o músico morreu em Londres, em 25 de Maio de 1934.
Juntamente com Vaughan Williams, Holst procurou estabelecer um estilo musical inglês, baseado em suas pesquisas sobre a canção folclórica daquele país, procurando afastar as influências germânicas de então. Centrando-se em obras vocais, Holst foi um dos mais importantes compositores britânicos do século XX. Fascinado pela música folclórica inglesa, pelo oculto e, acima de tudo, pelo misticismo religioso, é conhecido sobretudo por Os planetas Op. 32 (1916-1918), suite sinfónica na qual cada parte representa um planeta, seu mito e sua astrologia.
A popularidade de nível internacional de Os planetas ofuscou o resto de seus trabalhos, entre eles a ópera Savitri (1908), baseada em um tema indiano. Outras obras: Hino de Jesus Op. 37 (1917), para coro e orquestra, Suíte n.º 2 Op. 29 - St. Paul (1913), inspirada em melodias do folclore inglês.

4 comentários:

  1. Olá Regina! Tantas coisas lindas que pesquisa e escreve e logo dentro de um campo que é tanto do meu agrado!!!!!!!

    Um beijo.

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  2. Acabei de ouvir os Planetas de Holst no auditorio da Camara Municipal de Leeds pela orquestra de Houston e com filme feito em AD com imagens dos planetas tiradas pela Nasa nos ultimos trinta anos. Magnificiente. Adorei e a Luisa tambem. Neptuno e lindo com os aneis a cores...e Venus tambem. Mas ainda melhor e com a musica....ao vivo!
    Parece que adivinhaste.....

    Amanha retorno a Portugal. E vemo-nos na 3 se Deus quiser.

    Bjo

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  3. Graciete
    Eu sei que gosta muito de tudo o que se prende com o cosmos. Eu também mas sinto-me tão pequenina não só em dimensão como em conhecimento....
    Um bj
    Virgínia
    Que coincidência...Só lamento não ter tido o privilégio que tu tiveste de assistir ao concerto ao vivo e acompanhado dessas magens
    Um beijo para ti e outro para a Luísa

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  4. So agora reparei que escrevi Neptuno em vez de Saturno no meu post. Desculpa, estava obnubilada pela performance a que assisti. A orquestra ainda deu dois encores com a sociedade inglesa toda de pé extasiada. Só neste concerto vi ingleses a sério...porque na rua confundem-se com os imigrantes das mais variadas raças e estudantes que vem estudar para Leeds. Ali pareciam estar num evento social da alto gabarito. Os bilhetes so custaram 7 libras - o da Luisa - e o meu 15. É baratíssimo pois a libra esta quase igual ao euro.
    Abraço e parabens pelos poemas....o que gostei mais foi o mais curtinho de Sousa Braga, é delicioso.

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