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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dois pequenos registos a propósito da implantação da República

No dia 1 de Fevereiro de 1908, quando regressavam de Vila Viçosa, D. Carlos e o príncipe herdeiro foram assassinados no Terreiro do Paço. A situação política que já era complicada, agravou-se extraordinariamente e a 5 de Outubro de 1910 foi implantada a República.

Um dos autores do atentado de 1 de Fevereiro de 2008 tinha por nome Buiça. A ele se refere  Manuel Alegre num poema seu de que gosto muito, publicado em “Praça da Canção” e creio que musicado por Manuel Freire. Sei a música, mas não consegui encontrar qualquer referência na NET.

Aqui fica um excerto do poema  "Trova"

(…)Não venho matar o rei

que eu não sou nenhum Buiça

com trovas entro na liça

não tenho as armas do rei

canto a favor da justiça

que em trovador me tornei(…)



O outro registo tem a ver com Alfredo Keil, autor da música do Hino Nacional. Num site de música que consulto com relativa frequência e que contém, entre outros dados, pequenas sinopses biográficas de inúmeros compositores, encontrei referências a Keil :

Alfredo Keil nasceu em Lisboa, em 3 de julho de 1850. Português de ascendência alemã por parte do pai e alsaciana por parte da mãe, Keil foi pintor, poeta, e, como músico, embora não fosse a sua principal actividade, merece ser mencionado em lugar de relevo relativamente à história da ópera em Portugal, e para tal bastava que dele citássemos Serrana (baseada no conto de Camilo, Como ela o amava), que pode ser considerado um dos mais importantes marcos na criação da ópera portuguesa.

Mas ao lado desta podemos citar ainda D.Branca (com libreto extraído do poema de Garret), Irene (libreto com base na lenda de Santa Iria) e Susane (libreto de Higino de Mendonça). Além destas obras são de referir também muitas pequenas peças pianísticas no estilo de salão, três cantatas, um poema sinfónico (Uma caçada na corte). Foi também Keil que compôs a música do hino nacional português (A portuguesa). Morreu em Hamburgo (Alemanha), em 4 de outubro de 1907.

Nunca me tinha movido qualquer curiosidade sobre o compositor. Mas resolvi pesquisar e encontrei um vídeo com obras suas. Ao piano Gabriela Canavillas e no canto a soprano Ana Ferraz


Voltando ao Hino Nacional ,foi composto em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, e foi utilizado desde cedo como símbolo patriótico mas também republicano. Aliás, em 31 de Janeiro de 1891, na tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a república em Portugal, esta canção já aparecia como a opção dos republicanos para hino nacional, o que aconteceu, efectivamente, quando, após a instauração da República a 5 de Outubro de 1910, a Assembleia Nacional Constituinte a consagrou como símbolo nacional em 19 de Junho de 1911.
A Portuguesa, proibida pelo regime monárquico, que originalmente tinha uma letra um tanto ou quanto diferente (mesmo a música foi sofrendo algumas alterações) — onde hoje se diz "contra os canhões", dizia-se "contra os bretões", ou seja, os ingleses — veio substituir o Hymno da Carta, que era  o hino nacional desde Maio de 1834.
Na minha pesquisa, encontrei também alguma obras do autor, no campo da pintura. Achei interessante a que aqui deixo







Francisco Keil do Amaral,  figura de referência na arquitectura portuguesa, era neto de Alfredo Keil.Foi casado com a pintora Maria Keil que, como ilustradora, colaborou com várias revistas  como Panorama, Seara Nova, Vértice, e Eva

3 comentários:

  1. Muito interessante o seu post sobre o 5 de Outubro, cheio de óptima pesquisa.

    Um beijo.

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  2. Talvez se recorde do poema de M.Alegre musicado, creio que por Manuel Freire. Eu creio que tenho em vinil mas esses discos estão todos no sótão. Penesei encontrá-lo no youtube mas não conseguir. Tenho pena pois é muito bonito
    Bja
    Regina

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  3. Não me lembro desse poema nem da canção. Mas sabe umacoisa, eu até gosto do Buíça. Teve uma vida bem interessante e deixou, aos filhos ,uma carta testamento muito linda.

    Um beijo.

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