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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O silêncio das pedras

O silêncio das pedras


Gosto do silêncio das pedras. Mudas, falam através de testemunhos,

de estratos e fissuras, de formas e de cor,

que permitem chegar ao seu passado de muitos milhões de anos-

aos ventos que as fustigaram, às águas que as arrastaram,

às elevadas pressões e temperaturas a que se sujeitaram

na epopeia da sua formação.

Gosto do silêncio das pedras que, mudas, conservam na memória

os seres vivos com quem coabitaram dos ínfimos, aos poderosos,

passando pelos humanos que ao longo de toda a história

tantas vezes as moldaram com lágrimas e com suor.

Gosto do silêncio das pedras tantas vezes pisadas no chão,

pedras que não choram, ao contrário dos meus olhos desditosos

que nelas se demoram.

Insistem as lágrimas em escorrer pelo rosto

Cerro os punhos tentando esmagar o meu desgosto

já que o coração, amargurado, mudo como as pedras

não encontra outra forma de falar.
Regina Gouveia

Vem este poema a peopósito do texto que aqui insiro.
Ainda no meu reino maravilhoso, no dia 4 de Setembro, o meu penúltimo dia de férias, participei, no âmbito do programa Ciência Viva no Verão, na acção "Maciço de Morais: antigo oceano enquadrado por dois antigos continentes"
No Maciço de Morais (Macedo de Cavaleiros) encontra-se bem representada a sutura do Orógeno Varisco. Num curto espaço geográfico, podem observar-se testemunhos do Continente Laurentia Báltica, do Oceano Rheit e do Continente Gondwana, os dois continentes e o oceano envolvidos na formação da Cadeia de Montanhas Varisca, formada entre 390-380Ma.

A acção foi levada a cabo através de uma visita orientada pelos Professores Eurico Pereira, Pedro Teiga e José Feliciano Rodrigues, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

O percurso que incluiu Izeda, Santolhão, Morais, Balsamão, Paradinha de Besteiros e Lagoa, foi iniciado às 9 h em Macedo de Cavaleiros e terminou por volta das 18 h na mesma cidade.

Próximo do convento de Balsamão, decorreu o almoço, um agradável pic-nic num local paradisíaco próximo do rio Azibo

E já que falei em Balsamão será curioso referir a famosa lenda que envolve Balsamão, Alfândega da Fé e as localidades vizinhas, Chacim e Castro Vicente

Lenda dos cavaleiros das esporas douradas

Havia naquelas paragens um terrível Muçulmano. Abdel Ali, dono e senhor que impunha como feudo a entrega de um determinado número de donzelas. Este imposto ficou conhecido como o “Tributo das Donzelas”. A cobrança do tributo revolta a população.
O casamento de dois jovens, Teolinda, filha de D. Rodrigo Ventura de Melo, Senhor de Castro (Vicente) e Casimiro, filho de D. Pedro Rodrigues de Malafaia (Alfândega) líder dos Cavaleiros das Esporas Douradas haveria de mudar o destino da população e do mouro malvado. ( os nomes, naturalmente imaginários, são  utilizados pelo Prof. João Baptista Vilares, no romance “Tributo das Donzelas”).
 É então que os “Cavaleiros das Esporas Douradas” organizam uma investida contra o infiel. Conta o povo que tal batalha não foi fácil, os Cristãos chegaram mesmo a estar em desvantagem. Foi quando apareceu Nossa Senhora, que com um bálsamo que trazia na mão foi reanimando os mortos e curando os feridos. A luta aumentou, de intensidade e os invasores acabaram por ser expulsos destas terras, pondo-se assim fim ao “Tributo das Donzelas”. No local construiu-se uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Bálsamo na Mão, hoje Santuário de Balsamão, o lugar de tão grande Chacina deu origem a Chacim e Alfândega, graças à bravura e valentia dos seus Cavaleiros das Esporas Douradas e em nome da Fé cristã, passou a designar-se Alfândega da Fé.

3 comentários:

  1. Também gosto do silencio das pedras e há locais onde essas pedras me contam uma história, quer recente, quer de há milhões de anos. Já gostava das pedras em Sintra, onde a minha Avó tinha uma casa chamada a Casa da Lapa, devido a uma grande rocha natural incrustrada na entrada. Em Trás os Montes quando á estive, passeávamos muito no Geres mais selvagem, do lado de Montalegre e aquelas pedras pareciam ter vida, caras, formas, verdadeiros monumentos escultóricos de uma época remota.

    Gostei muito da história e do poema. Eu bem digo que por Alfandega da Fé, se levanta uma pedra e salta um verso da Regina !!!

    Parabens mais uma vez. Gostei d te rever ontem. Espero que a saúde continue OK. Bjo

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  2. Que bom "rever-te" aqui pelo Blog.
    Não te esqueças que temos um plano de ir a T. os Montes onde poderás ver muitas pedras...lindas.
    Quando regressas de Inglaterra?
    Um ab
    Regina

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  3. Também já andei por essa região com a UPP e o Prof. Dalmindo. Gostei imenso, não só pela paisagem mas também pela explicação do professor sobre a evolução geológica dessa região.
    O seu poema é muito lindo e significativo.
    As pedras são mudas mas quantas histórias tristes nos poderiam contar deste mundo tão cheio de desgraças quer naturais quer, e talvez principalmente, humanas!!!!!!

    Um beijo de muita amizade e admiração.

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