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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

POR TERRAS DE BRAGANÇA

No post anterior referi-me à peça de teatro a que assisti no castelo de Bragança criada e encenada por António Afonso, poeta, pintor, dramaturgo, encenador…

Iniciei a escola primária na freguesia de Parada- Alfândega da Fé. Entrei directamente para a 2ª classe porque os meus pais me ensinaram a ler e a escrever muito cedo. Na 3ª classe a escola passou a posto escolar e por isso fui frequentar a 4ª classe em Bragança onde havia de permanecer mais sete anos, até completar o 7º ano do ensino liceal. Obviamente que nas férias regressava à aldeia com uma eventual ida a Sintra ou a Chaves visitar os meus tios.
Em Bragança vivi sempre na Rua Nova, no primeiro andar de um prédio que pertencia aos pais do António Afonso, que habitavam o 2º andar. Com ele e as suas irmãs passei parte da minha infância e juventude. Daí que a nossa amizade venha de muito longe.

Mas voltando à peça de teatro, da autoria de A.Afonso. Tudo se passa ainda antes da fundação da nacionalidade e as personagens principais são o “braganção” Mendo Alão e uma princesa Arménia que ele rapta quando a mesma se encontra de passagem no Mosteiro de Castro de Avelãs, acompanhando o pai numa peregrinação a Santiago de Compostela. e  mantém sequestrada na Torre da Princesa,
A peça é a continuação da peça apresentada no ano passado(do mesmo autor) em que Mendo Alão é armado cavaleiro pelo rei de Castela e Leão, papel desempenhado por um actor profissional de Zamora, tal como a actriz que desempenha o papel da Rainha. Estes dois actores surgem novamente nos mesmos papéis, na peça agora representada.
Entre figurantes, actores e outras pessoas envolvidas havia cerca de 80 pessoas. Também vários cavalos circulavam pelo espaço

A peça, tal como a anterior, desenvolveu-se dentro do castelo e a iluminação era essencialmente feita por tochas. Claro que a tecnologia moderna esteve presente na criação de diferentes ambientes através de luzes e sons gravados e reproduzidos.

De início a assistência era muita, mas o frio cortante que se fez sentir levou a que muitas pessoas abandonassem o recinto antes de terminar a peça. Nesse aspecto, no ano passado as coisas correram melhor pois a noite esteve serena

De realçar o trabalho de pesquisa de António Afonso e todo o empenho que coloca nestas peças que contribuem para a promoção da cultura num país em que a cultura é geralmente pouco acarinhada
A testemunhar esse trabalho de pesquisa, esteve presente uma senhora arménia ligada à Fundação Calouste Gulbenkian, junto da qual António Afonso obteve várias informações importantes para o seu trabalho

No exterior do castelo propriamente dito, mas dentro das muralhas, decorria uma suposta feira medieval mas em que os produtos postos à venda pouco ou nada faziam lembrar tempos medievos.

Encontrei também uns bares com um ambiente muito agradável instalados nas casas que existem dentro das muralhas na cidadela.

Sempre que vou a Bragança, regresso um pouco a um passado que faz parte do meu imaginário. Vejo-me na Escola do Loreto, no Liceu, hoje centro cultural, na Rua Nova a jogar ringue e badmington e a “pelotada” em dias de nevões fortes. Os carros que ali passavam eram tão poucos que a rua era ao mesmo tempo rua e parque de jogos.

Uma vez por ano, no 1ºde Dezembro, havia teatro no Cine Teatro Camões. Os actores eram os alunos do Liceu e os encenadores o Dr. Carvalho ou o Dr. Subtil, ambos professores de Inglês. No meu sétimo ano desempenhei o papel feminino principal. Era a Rainha das Águas que contracenava com o gigante Adamastor, papel desempenhado pelo colega Luís Salazar. Mas hei-de voltar a este tema com mais pormenor e a inclusão de fotos

2 comentários:

  1. Sorte que viveste num liceu mixto....o meu era freirático - o M. Amália. Apesar de tudo assisti lá já como prof ao 25 de Abril e ao abrir das portas do Aljube... e outras. Tb se faziam peças todos os anos e eu era a directora do jornal de Escola com a minha amiga Helena Roseta e a Zé ( hoje Sampaio, mulher do Daniel). Faziamos muitas coisas apesar do liceu ser rigido e só lá entrar o Padre:))

    Boas memórias....

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