Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um novo “périplo” pelas escolas.

No dia 8 de Junho, a convite do Agrupamento de Escolas de Mondim de Basto, fui àquela vila estar com várias crianças do 1º ciclo e respectivos professores.

O acesso a Mondim não é dos mais fáceis. Optei por ir de autocarro até Amarante. Aí, esperava-me o responsável pela Biblioteca da Câmara de Mondim que me conduziu até à vila. Mantivemos uma conversa muito interessante sobre o funcionamento de bibliotecas em outros países, nomeadamente no Reino Unido onde estudou, funcionamento que gostaria de implementar na referida Biblioteca onde, aliás, a sessão decorreu. Todo o espaço é muito bonito.

Aguardavam-me o Presidente da Assembleia Municipal, o Presidente da Junta, professores e alunos, nomeadamente a Professora Amélia Machado que me propusera a ida, em nome do referido Agrupamento.

Desde o início do ano os professores vinham desenvolvendo um projecto centrado no poema “Era uma vez…o Mar “ (in Era uma vez…ciência e poesia no reino da fantasia ). Logo à entrada decorria uma exposição com inúmeros trabalhos das crianças, sempre sob o tema mar. Como me esqueci de levar a máquina fotográfica não fiquei com registos e tenho pena pois havia trabalhos interessantíssimos

Estive com cerca de 300 alunos em 4 sessões, em que “a ciência e a poesia andaram de mãos dadas”. Leram-se poemas, fizeram-se algumas experiências

Os alunos, muitos deles vindos de povoações do concelho, receberam-me com uma série de surpresas. Duas encenações criadas a partir do texto, leitura de poemas e a oferta de um livro feito por alunos do 4º ano de uma das escolas, com poemas sobre o mar, todos eles muito interessantes.



Na impossibilidade de reproduzir todos os poemas reproduzo excertos de alguns.

(…)O mar é uma flor

A flor do oceano

O oceano de cor

Durante todo o ano(…)



(…)Mar, mar, mar.

É tão bom nadar

Nele navegar

E desfrutar(…)



(…) Avistei ao longe

uma bela paisagem

Era o mar

que estava de viagem(…)



O mar é lindo

E cheio de mistérios

Lá os peixes vão dormindo

junto dos rochedos sérios(…)



(…)Azul e verde são

As cores do mar

Banham as areias

Com carinho para dar(…)


Apesar do elevado número de alunos por sessão, os alunos portaram-se de forma exemplar. Do que me apercebi, para alguns, estar em presença dum escritor era algo completamente novo. Mas não só. Foi evidente o empenho com que a maior parte dos professores se envolveu no projecto.

No fim os alunos quiseram autógrafos, não só para eles como para os pais, os irmãos, os amigos, etc

Tendo trabalhado durante 39 anos com alunos mais crescidos, não tinha experiência com crianças tão pequenas mas desde que voluntariamente comecei a trabalhar em Bibliotecas e Escolas, a experiência com estes níveis etários ( e não só) tem sido muito gratificante.

No dia 9 fui a Torres Novas a propósito do livro Ciência para meninos em poemas pequeninos. Fui de Intercidades até ao entroncamento onde a professora bibliotecária me aguardava para me levar até à Escola Artur Gonçalves em Torres Novas

Aí, além de professores a e alunos, estavam também representando a Editora Gatafunho, a Ana Paula Faria e a Clementina. Tive um encontro com turmas de 6º ano. Como habitualmente aliei a ciência à poesia.Os professores, tendo-se empenhado no projecto, estavam um pouco tristes com o desempenho de alguns alunos. Talvez por estarem mais habituados a receber escritores o interesse de alguns foi reduzido, embora tivesse havido alguns muito interessados.

Mais uma vez me esqueci da máquina fotográfica mas em contrapartida fui fotografada para constar num “dossier” da escola com fotos dos escritores que por ali passam.

Ontem , 15 de Junho fui ao Agrupamento de Escolas de Escariz, onde já tinha estado há três anos, tal como agora, com alunos de 6º ano.

O convite partiu da professora bibliotecária Ester Pinho que me veio buscar e trazer. O seu dinamismo é espantoso, como já constatara anteriormente .
Logo de início fui brindada com uma intervenção de alunos do 6º ano lendo poemas do “Herbário” de Jorge Sousa Braga. No âmbito do Ano da Biodiversidade os alunos tinham participado numa exposição cujo cartaz foi construído com palavras/frases deles alusivas ao evento e que no seu conjunto desenham um búzio







Entre os alunos que leram os poemas, encontravam-se duas alunas de 9ºano que tinham estado presentes na sessão de há três anos .

Seguiu-se a minha intervenção nos moldes habituais ( ciência e poesia de mãos dadas).No fim os alunos leram poemas que tinham feito e ilustrado a partir de um desafio. Quer professores quer alunos, apenas conheciam os títulos dos poemas que constam no livro. E foi só com base nos títulos que construíram as suas ilustrações e poemas.

Ofereceram-me esses poemas ilustrados e eu pedi que mos autografassem. Desta vez inverteram-se os papéis.

Por fim estive à conversa com vários professores e pensei mais uma vez o quão mal tem sido tratada a classe docente. Sei que há, como em todas as profissões, gente que não dignifica a função, mas em contrapartida há professores duma dedicação, dum entusiasmo que tornam possível que eu ainda acredite na construção de um mundo melhor.

Deixo-vos com algumas fotos da sessão em Escariz

1 comentário:

  1. Eu também acredito, Regina, num mundo melhor.
    As crianças muitas vezes são acusadas de má educação, falta de interesse pela Escola,mas onde estão os estímulos? Acções como essas em que a Regina participa são importantes. mas também é preciso apoios e professores interessados. Professores, a Regina é um exemplo. Apoios dependem do poder local e central. Se o sistema político evoluir nesse sentido estou convencida que o mundo das crianças e até o seu futuro alcançarão muitas melhorias.

    Umbeijo, Regina.

    ResponderEliminar