Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 20 de junho de 2010

Poupam na farinha e esbanjam no farelo…

No passado dia 16 e após quatro anos lectivos, dei a minha última “aula” na UPP (Universidade Popular do Porto). Iniciado em 2006 um curso de Física e Poesia que, no primeiro ano foi de co-responsabilidade minha e da minha amiga Daisi Silva, o curso prosseguiu mais três anos só comigo, por razões de saúde da Daisi.

Foi uma experiência muito gratificante mas o tempo não chega para tudo…Quando comecei tinha muito menos solicitações (menos netos, menos pedidos de intervenções em escola e não só, etc, etc, etc)

Na última aula fui com as alunas (este ano só alunas) visitar o Museu de Ciência da FCUP (Faculdade de Ciência da Universidade do Porto) que funciona na antiga Faculdade, "nos Leões". Tendo como Director o Professor Doutor Luís Miguel Bernardo, que muito considero e de quem já aqui falei em texto anterior, tem como técnica superior Marisa Monteiro. Tendo passado uns breve anos pelo ensino secundário, tive o privilégio de ter sido sua orientadora de estágio. É sempre com muito carinho que nos recebe ( e digo “nos” porque tenho ido sempre acompanhada de “alunos”).

Essencialmente o Museu consiste neste momento numa sala em que os visitantes têm acesso a experiências desde a Física Clássica à Física Moderna e uma outra, mais recente, dedicada quase exclusivamente às energias alternativas

A par do que referi, a FCUP tem um grande espólio que faz parte do museu mas se amontoa em salas por falta de espaço (o edifício que pertencia à Faculdade de Ciências é hoje pertença da Reitoria pelo que o espaço destinado ao Museu é um pouxo exíguo) e de recursos humanos. O trabalho de pesquisa necessário para identificar certo material, a recolha e identificação de peças soltas, o restauro , etc,  justificariam uma equipa com uma dimensão diferente.

Por tudo isto, o Museu só pode ser visitado com marcação prévia pois não se encontra aberto ao público noutras condições.

Passámos a tarde no Museu.

Despedi-me das alunas com um até sempre, mas já com saudades.

Aqui ficam o endereço do site do Museu     e dois pósteres da nova sala de que a  Marisa muito gentilmente me enviou as fotos . Divirtam-se…




Existe ainda um outo espaço que merce visita. A sala Eureka, na actual Faculdade de Ciências, departamento de Física (Campo Alegre) . Também aí é preciso fazer marcação prévia.


Na mensagem anterior e a propósito de José Saramago, referi o quão pouco se valorizam alguns recursos, sejam eles materiais ou humanos. O que acabo de referir vem reforçar a minha opinião. Mas há mais. Parece que o Museu de Ciência da FCUL (Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa) vai ser extinto como tal,  e passar a ser uma dependência do Museu de História Natural.

Há um provérbio português que se aplica bem aos nossos governantes. Poupam na farinha e esbanjam no farelo

3 comentários:

  1. Tudo o que a Regina descreve já foi visto por mim e outras colegas quando fomos suas alunas na UPP. Que pena não poder continuar!!
    Eu gostei tanto das suas aulas, sempre com um sabor a poesia, que era capaz de me voltar a inscrever na disciplina.
    Os pósteres que enviou são fantásticos! Como é que eu consegui ler aquilo tudo tão bem?

    Um grande abraço,Regina.

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  2. Graciete
    Obrigada pelas suas palavras.Tenho de facto pena de não ter tempo para continuar mas este ano já tive que faltar algumas vezes para poder satisfazer pedidos de escolas e mesmo assim tive que recusar muitos.
    Gostei mesmo de dar aquelas aulas. A relação com os "alunos" foi fantástica, em geral, e com a Graciete georou-se da facto uma grande empatia.
    Mas vamos continuar a encontrar-nos, no blogue e não só.
    Um grande abraço
    Regina

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  3. Tens toda a razão, ainda no outro dia quando visitámos o Botanico nos veio à mente como era possível deixar estragar as estufas tão grandes e com plantas tão raras, abandoná-las com os vidros partidos, sujos, etc. Em Lx parece que existe uma associação de voluntários que trabalham gratuitamente no Jardim Botanico. Perguntei aqui se haveria alguma coisa no género - até para a minha filha se entreter - e disseram-me que não, que aquilo era da responsabilidade da FCUP...

    Também eu não me importaria de frequentar um curso de Poesia e Física...ponho a primeira como prioritária, a segunda é-me mais hermética!
    Para te consolar, vai ver o meu blogue. Tens lá uma prenda.
    Bjo

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