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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Lego mudou

Quando ofereço prendas a crianças, preocupo-me com o contributo que a prenda poderá ter ( segundo o meu critério, eventualmente ultrpassado), no desenvolvimento integral da criança. Daí as minhas opções passarem frequentemente por livros e jogos educativos, nomeadamente construções LEGO que considero dos "brinquedos" mais bem imaginados de todos os tempos .
Quando os meus filhos eram crianças vivi numa casa que tinha uma sala mais ou menos em  L. Parte dese L foi sendo progressivamente preenchido com uma cidade construída em LEGO com porto, marina, barcos, campo de aviação, escolas, hospitais, parques. Uma das coisas que hoje mais lamento é  não ter ficado com uma foto dessa cidade.Na NET encontrei uma que me recorda um pouco a outra
Agora, são os meus netos mais crescidos ( a Rita com oito anos e o Ju com quatro) que brincam com os Legos que os pais tanto usaram. E, apesar da diferença de idades,  interagem maravilhosamente na construção dos seus projectos
Este passeio pelo mundo dos LEGOS, surgiu na sequência de  um texto que o meu filho Nuno colocou no blog da Associação de Pais a que preside. Estou em plena sintonia com esse texto, do qual deixo alguns excertos
Os pais são sempre responsáveis pelo alcance dos horizontes dos filhos menores. São os pais que mantêm fechadas determinadas portas de conhecimento e que vão abrindo outras explicando ao filhos o que eles irão encontrar além da passagem (...)


São ainda poucos os casos graves de abuso de violência por parte de crianças emocionadas com a vivência prévia de videojogos violentos, mas existem. E em alguns países, certos jogos foram mesmo proíbidos, embora se tema pelo efeito contraproducente da criação de uma lei seca(..)
Isto vem tudo a propósito da presença de uma instalação da Lego no Shopping Bom Sucesso, no Porto; interessante pela mostra de construções, quer as das crianças que vão a visitando, quer a da divertida "cidade" pré-feita.

Mas também lá foram colocados dois postos de videojogos, com um jogo do Batman em ambiente Lego, acessível a crianças de todas as idades. O Batman é um "super-heroi" que como os restantes da classe tudo resolve sozinho beneficiando de alguma violência e de um mundo irreal de bons e maus. No caso deste videojogo, o problema, a meu ver, é bem pior, pois o jogo permite, pelo menos até onde deixei o meu filho jogar, atropelar outros "bonecos" ao volante de uma escavadora - ou seja, tal como acontece nos videojogos mais violentos! Claro que não se vêm jorros de sangue e claro que o boneco acaba por renascer pouco depois, mas o princípio da violência gratuita está lá; uma violência que surge sem qualquer incentivo ou necessidade - explora-se apenas a capacidade humana de se ser... desumano. A Lego mudou.

2 comentários:

  1. Também me lembro das horas infindas que o meu filho João passava a construir naves espaciais - a sua fascinação maior - com portas que se abriam, engenhos que ele abria e fechava, uma nunca acabar de maravilhas que ele conseguia produzir só com aqueles blocos mais simples. A caixa de LEGOS está agora em casa dele, mas já não causa a mesma atracção de outrora. O André com 4 prefere os gormittis , os superhomens e os dinossauros, cria histórias entre eles, fala mexe-lhes e os legos ficam na caixa.
    Tenho pena, mas mesmo o mais bébé quando chega a minha casa prefere brincar com o que não é brinquedo, comandos da TV, - hoje até com uma caixinha de fio dental - frasquinhos de iogurte, mas nada de legos gigantes que pacientemente esperam por vez.
    Amanhã vou ao Cidade, queria ver essa cidade de Lego. Boa ideia.

    Bjo

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  2. Olá Regina. Concordo com tudo o que diz no seu "post". Só que os próprios pais, constantemente metralhados com o consumismo e o culto dos heróis solitários,esquecem-se de que somos fundamentalmente seres sociais e não o transmitem aos filhos que acabam por se tornar individualistas e até egoístas. Também gosto muito do LEGO, mas até esse, como diz o seu filho, já está contaminado.
    Um beijo, com a esperança de que a sociedade se torne mais humana.

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