Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Dois registos

1º Registo

Um lapso imperdoável

Só hoje me dei conta que não cheguei a fazer referência a duas idas a escolas de um Agrupamento de Paços de Brandão, onde fui a convite da professora bibliotecária, Manuela Lima, professora muito empenhada.

Não foi por não ter gostado das visitas, bem pelo contrário, mas há alturas em que o trabalho se acumula e acabo por involuntariamente negligenciar alguns aspectos.

A professores e alunos aqui deixo o meu pedido de desculpas.

Na primeira visita, em que estiveram envolvidos todos os alunos da Escola, pude ver vários trabalhos inspirados em poemas meus. Os alunos foram muito participativos e o tempo correu sem se dar por ela. Na segunda visita, em tudo idêntica à primeira, já com outra escola, os alunos estiveram muito menos empenhados. Por isso é preciso muito bom senso na forma como se pondera o sucesso dos alunos, na avaliação dum professor

E por falar em lapsos ocorreu-me este poema de Ronald Polito, poeta brasileiro

Numa manhã


Vem, carregando o corpo


quebrado, sem brado, sem


dormência, pela colisão


com o simples


ar em torno, de


uma víscera, e


outra adentro, do


pensamento contra


o pensamento, e


num lapso de


trégua, esmerado


em apuros, quase


alheio, depõe


o peso, a pose,


a gana, a afasia,


e afaga


no fogo do sol


a ferida


2º Registo

No dia 12 de Junho, foi oficialmente criada em Bragança, a Academia de Letras de Trás-os-Montes que, graças ao dinamismo do meu amigo de infância, escritor e pintor António Afonso, já tem um Blog http://academialetrastrasmontes.blogspot.com/.

Para a recém criada Academia desejo o maior sucesso

E porque "o sonho comanda a vida" , termino com o poema Sonho de Sebastião da Gama,  Sonho obra de Picasso de 1932 e Pedra Filosofal, na voz de Manuel Freire

O SONHO

Pelo sonho é que vamos,

Comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não frutos,

Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

Que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

1 comentário:

  1. De um pequeno lapso, como consegue fazer um trabalho tão lindo? Para a Academia de Letras de Trás- os Montes , desejo os maiores sucessos pois é também com acções desse género, principalmente no interior do País,que "o Mundo pula e avança".
    Um beijo.

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