Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Até onde chega a falta de solidariedade neste mundo da globalização…

O texto que coloquei ontem sugeriu-me este que aqui deixo. Há uns anos, a Areal Editores pediu-me para escrever um capítulo sobre electrónica (unidade opcional) para um livro escolar de Física e Química de 9º ano. Convidada que fui algumas vezes para escrever livros escolares, nunca aceitei porque tenho do livro escolar uma concepção bastante diferente daquilo que é habitual fazer. Naquele caso, como se tratava só de um capítulo e me davam liberdade para fazer como eu quisesse, aceitei com a condição do meu nome não figurar na capa, apenas no capítulo. Passados uns anos, com a mudança de programas, o livro deixou de ter sentido. Recebi então uma carta da editora perguntando-me se estava interessada em adquirir os livros sobrantes a um preço mais módico pois caso contrário seriam queimados. Obviamente que não tinha qualquer interesse na proposta e sugeri que em vez de os queimarem os entregassem a uma obra qualquer, nomeadamente de apoio aos países das ex-colónias. Responderam-me que não estava previsto tal procedimento.


Creio que hoje a editora em causa (agora pertencente ao grupo Porto Editora) bem como as demais não queimam, guilhotinam.

Quando recebo pedidos de livros usados, mesmo em mau estado, vindos de organizações de apoio a Timor, Angola, Guiné, Moçambique, etc, sinto uma revolta imensa.


Alguém me disse que os livros não podem ser enviados por razões burocráticas, entre elas a existência dos direitos de autor. Não acredito que exista algum autor que prefira ver os seus livros guilhotinados a abdicar dos direitos de autor sobre esses exemplares.

Haverá por certo outras burocracias ( Portugal hoje é mais um país de burocracia do que um país de democracia ) mas por certo seriam facilmente resolúveis se a solidariedade não fosse hoje uma palavra tão vã nesta era da globalização

A terminar recordo um concerto de solidariedade com Timor Leste e a criação do Museus de Solidarieddae Salvador Allende



 A história do nosso planeta mostra-nos que, por vezes, o espírito de solidariedade venceu longas distâncias, uniu pessoas desconhecidas e proporcionou a existência de humanidade. E foram nesses momentos - infelizmente poucos - que surgiram algumas das mais importantes manifestações de felicidade colectiva, permitindo-nos acreditar na realização de sonhos. Um bom exemplo disso nasceu na mente e floresceu no coração de um homem que acreditava num mundo melhor e mais justo para todos. E que, com este pensamento, ajudado por outros entusiastas, criou um museu de arte para o seu povo. Porque a cultura é garantia de liberdade, independência e desenvolvimento, Salvador Allende, ao sonhar grande e merecer a solidariedade internacional, recebeu doações de obras de arte que chegaram - como coloridas pombas de paz -, vindas de vários países. Assim nasceu, em Maio de 1972, o Museu de Solidariedade do Chile. Um acto de respeito ao próximo que contou com a adesão espontânea de críticos, coleccionadores, intelectuais e artistas plásticos de várias partes do mundo, inclusive do Brasil.

Talvez estes exemplos nos façam reflectir um pouco sobre este mundo por vezes tão pouco solidário

1 comentário:

  1. Regina, Salvador Allende era um dos políticos que eu mais admiro, justo, humano ,solidário, sincero e activo na sua obrigatoriedade de construir um mundo melhor para o Povo que o elegeu. E viu o que lhe aconteceu? Deixou-se matar para não trair o seu Povo.É um dos meus Heróis.
    Quanto aos livros, guilhotiná-los é um crime sem perdão. Não me acredito nas falsas burocracias. Acredito mais que é perigoso dar cultura aos Povos, mas é o mundo em que vivemos. No entanto, eu confio em que o futuro será bem diferente para os que vierem depois de nós e a Regina bem contribui para isso com a sua dádiva constante de cultura, solidariedade e generosidade.
    Um beijo muito grande e, repito, foi um privilégio conhecê-la.

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