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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 25 de abril de 2010

O que foi feito de Abril?

No trigésimo aniversário do 25 de Abril, a Revista “Palavra em Mutação” que, apesar de premiada no Brasil com o prémio Cecília Meireles acabou por morrer, dedicou, no seu número PM5zero, um grande espaço à efeméride, com a publicação de poemas de vários autores (Papiniano Carlos, José Augusto Seabra, ;Castro Gil, Teixeira e Castro, Leitão Baptista, Maria do Sameiro Barroso, Domingos da Mota, Urbano Tavares Rodrigues, Ramiro Teixeira, , Eduardo Roseira, António Vera, Fernando Pinheiro, Maria Teresa Dias Furtado, Fernando Morais, Regina Gouveia.
Transcrevo apenas os mais pequenos


Dos restos

Alinhavam os morros

Tão frios, embrulhados

nos lençóis da memória:

coveiros açodados

a ruminar a história,

enquanto discursavam,

aplicados heróicos,

e os vermes devoravam

a história que restava

(José Augusto Seabra)


30 anos do 25 de Abril

De Abril direi apenas que existiu

Porque estive lá

O que lhe aconteceu depois

Devemos perguntar aos cangaceiros

Ou nem sequer perguntar

Porque há perguntas que não se fazem

De tão proibitivas….

(Fernando Morais)


A solução tem de ser imediata

rápida

para nos libertarmos deste presídio

para nos libertarmos deste martírio…

É preciso

é preciso

é preciso…

E não é que foi assim

da noite para o dia!

(Ramiro Teixeira)


Lembro-me quando foi Abril.

Lembro-me da música que no ar pairava,

lembro-me das mãos entrelaçadas,

lembro-me da alegria que tudo irradiava.,

lembro-me dos cravos.

Hoje vejo rostos onde se estampa a tristeza,

vejo pobreza, fome, desemprego, violência, medo.

O que foi feito de Abril?

Todos os anos , em Abril renascem cravos

mas não renasce Abril.

(Regina Gouveia)  já com algumas alterações em relação ao texto então publicado


E para terminar, as duas versões de Tanto Mar de Chico Buarque e uma pintura de Manuel San Payo

2 comentários:

  1. Pois é, Regina.
    Ainda me lembro de ir para o Carmo em Lx com colegas que hoje se calhar são tão de esquerda como eu. Foi um belo dia, mas o progresso não chegou ao país com a liberdade por que tanto ansiávamos.Foi isso que falhou na minha opinião. Não alcançámos as metas, a país continua tacanho em muitos sentidos, metade vive muito bem e a outra metade muito mal. As políticas são péssimas e na Educação não atingimos nenhum dos objectivos propostos. Andar na Escola, não significa progredir, fazer Vida, realizar-se. Em Portugal significa, hoje, preparar-se bem para ir viver noutro país ou então sujeitar-se a viver à custa dos pais ou dos amigos.
    Abril para mim significa frustração. E não me apetece comemorar nada.

    Nem gosto de cravos vermelhos. Hoje vi flores bem mais bonitas no Jardim Botanico!

    Bjo

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  2. Eu acho que já tinha escrito qualquer coisa, mas perdeu-se. O computador prega-nos partidas ou então é a minha ignorância. Mas o 25 de Abril vai cumprir-se, tenho a certeza.
    Sabe, vi a Daisy e não a achei mal.
    Um beijo.

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