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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 30 de março de 2010

Primeira colisão de partículas no CERN em directo na Internet

Eis uma das última notícias da revista on-line Ciência Hoje (2010-03-29).


Amanhã, 30 de Março, às 8h00 (hora de Portugal continental), o CERN - Organização Europeia para a Investigação Nuclear (França e Suíça) vai tentar pela primeira vez recriar o Big Bang no seu acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider - Grande Colisionador de Hadrões)(…) Será uma colisão entre feixes de protões previamente acelerados até obterem uma energia de 7 TeV. A energia total de colisão entre dois protões será, então, de 14 TeV. Os investigadores vão ter câmaras na sala de controlo do LHC, de onde se poderá seguir o progresso da experiência.
Este é o início de dois anos de experiências que pretendem confirmar a teoria sobre a origem da matéria, o que poderá levar a uma mudança revolucionária na Física.
Uma vez iniciada a experiência, o acelerador manter-se-á em funcionamento durante 18 a 24 meses (com uma pausa técnica no final de 2010). Poderão ver imagens no endereço http://cdsweb.cern.ch/record/1254517
tal como poderão encontrar outros vídeos relacionados em
http://cdsweb.cern.ch/collection/Videos


Já num texto que aqui coloquei em Janeiro último, fiz referência ao HLC  cujo contributo para sabermos mais sobre as origens do Universo irá por certo ser inestimável.

De que dados dispomos já sobre a história do Universo?

A Lei de Hubble-Homason, referente a movimentos galácticos, foi descoberta por Hubble e seu colega Homason quando se dedicavam ao estudo das galáxias Ao fazer a medida de distâncias, localização e distribuição das galáxias no espaço através da análise de seus movimentos, notaram que havia um padrão
Hubble observou que cada galáxia distante se afasta da Via Láctea numa velocidade proporcional à distância em que se encontra desta, quanto maior a distância, maior a velocidade.
(…)O Universo está em expansão a partir de uma prodigiosa, inimaginável, concentração inicial de energia. O momento inicial - o chamado Big Bang deu-se há cerca de 15 mil milhões de anos (…)

Um outro dado fundamental para a história do Universo está associado ao nascimento dos átomos. Os astrónomos observam da Terra, com o auxílio de radiotelescópios, uma radiação de fundo de microondas, uma radiação “fóssil” que é igual para todos os lados que olhem ( não vem, pois, de nenhuma estrela ou de nenhuma galáxia em particular)(….)

(…)Essa energia espalhou-se no momento em que surgiram os primeiros átomos, no instante em que os electrões e os nucleões deixaram de vadiar e se “casaram” uns com os outros por todo o lado ( teria o universo uns 150 mil anos…) para viverem felizes para sempre. O Universo era opaco antes desse evento porque a radiação era continuamente emitida e absorvida pelos electrões e núcleos e passou, de repente, a ser transparente, uma vez que os átomos não podem emitir nem receber uma quantidade de energia qualquer(…)

(…)Um terceiro dado para a história do Universo tem a ver com a proporção de átomos existentes à escala cósmica. Já vimos que para formar núcleos foram precisos protões e neutrões. Mas o que havia antes destes? Os quarks, os electrões e os neutrinos. E antes deles?

Provavelmente teríamos o reino da energia pura… do qual pouco ou nada se sabe

Havendo átomos há material para fazer estrelas. Estas nascem todas mais ou menos da mesma maneira, quando, no Universo, a força da gravidade faz juntar os átomos

Logo que os núcleos dos átomos se aproximam o suficiente, entra em acção a poderosa força nuclear forte, iniciando-se violentas reacções nucleares de fusão que libertam muita energia resultante da diminuição de massa dos núcleos filhos em relação à massa dos núcleos pais.

Enquanto que no início do Universo a energia deu lugar à massa, no interior das estrelas a massa dá lugar à energia.

Adaptado de Fiolhais, C. “Nova Física Divertida”

Termino com uma visão poética dessa fantástica história



Arrebol

Talvez viajem desde o Big Bang

átomos que me afagam através da morna brisa,

neste rubro arrebol do dia exangue.

Quem sabe já terão sido pedra, rouxinol, flor

e por isso a brisa como que canta e exala um perfumado odor.

Num gesto de lascivo amor fundo-me com a brisa,

perco-me algures no espaço e no tempo

e, num fugaz momento,

sinto que sou pedra, brisa, rouxinol e flor.

4 comentários:

  1. Um acontecimento científico tão importante e tão pouca importância lhe tem sido dada!!!!!!!
    Como sempre gostei muito do seu poema.
    Um abraço e tudo de bom para si e família não só nesta época de Páscoa mas em todos os dias que se lhe seguirem .

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  2. Uma Feliz Páscoa também para si, boa amiga
    Bjs
    Regina

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  3. Li no Publico uma notícia sobre o assunto, mas a tua entrada exala muito mais perfume, acabando com um poema tão lindo quanto simples....

    Dá-se à Ciência tão pouco valor e tenho verdadeiro fascínio por estas experiências, acho criminoso encher telejornais de baboseiras, politiquices e faits divers. Quem me dera que houvesse um telejornal científico que só se dedicasse a transmitir as descobertas da ciência cá e no estrangeiro. Mas este é o país e as audiências que temos.

    Obrigada pela informação.
    E pelo poema.

    Vais a T-os- M? Se fores traz-me um bocadinho de folar transmontano, só de pensar nele, fico com água na boca. Muitos comi naqueles dois anos que estive em Chaves.

    Bjo

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  4. Obrigada pelos comentários...
    Não vou a T-os-M agora mas espero que me tenham guardado um folar para quando lá for. E nessa altura terás a prova.
    Bjs
    Regina

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