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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 26 de março de 2010

(En)canto científico

No último texto falei do lançamento do volume 3 da obra História da Luz e das Cores, uma obra de divulgação científica da autoria do Professor Luís Miguel Bernardo, do Departamento de Física da FCUP, obra que aconselho pelo seu rigor associado a uma forma de escrita agradável.


Hoje vou continuar a falar de divulgação científica. O título deste texto fui busacá-lo a um outro (En)canto científico: temas de ciência em letras da música popular brasileira, da autoria de Ildeu Moreira, professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro e que desempenha (ou desempenhou) um papel muito importante na divulgação da cultura no governo Lula. Conheci-o pessoalmente e o nosso primeiro contacto surgiu a propósito do texto Educação em ciências, cultura e cidadania: a poesia na sala de aula que, em tempos, escrevi para a Gazeta de Física

A Gazeta é recebida no referido Instituto e ao ler o texto o Professor Ildeu Moreira contactou-me; a partir daí passámos a trocar e-mails.

Em 2006, ano do centenário do nascimento de Rómulo de Carvalho/António Gedeão, estive envolvida em várias eventos em sua homenagem. Um deles decorreu no ISMAI e, ao ver o programa, reparei que o Prof Ildeu Moreira também aparecia como orador.Foi então que o conheci pessoalmente
Ofereceu-me o livro Cordel e Ciência e referiu-me que a referência ao cordel tem um duplo sentido: por um lado a literatura de cordel, por outro os livros ficam presos a um cordel junto de zonas de acumulação de pessoas (por ex. paragens de ónibus) e podem ir sendo lidos pelas pessoas.


Passei também a aceder à sua página onde podemos encontrar vários textos relacionando Ciência e Arte nomeadamente  o que referi no início
Nesse texto faz referência a um disco de Gilberto Gil de que se inclui um excerto

Do livro Cordel e ciência incluo um pequeno excerto da apresentação (sic), bem como excertos de alguns textos.
(…)Nosso objetivo é, além de dar maior alcance ao trabalho imaginativo desses poetas, sugerir que o cordel e outras formas de expressão populares podem ser tomados como interessantes pontos de partida para se analisar determinados aspectos da relação entre ciência e sociedade e que podem mesmo ser utilizados como um instrumento adicional de divulgação científica especialmente junto aos setores populares. Esperamos também que esta ferramenta poética possibilite e estimule a reflexão e o uso mais amplo de formas alternativas de popularização da ciência

“Busca o homem conhecer a origem e dimensão

do universo e se está em permanente expansão

pois conhecer nossa casa é nossa obrigação.”

Gonçalo Ferreira da Silva in Trigésimo Aniversário da Conquista da Lua


“Da pipas faço luneta/No ar procuro mantê-las!/As coisas lindas eu vi/Debicando vou revê-las!/Foi bom andar nos planetas/Que nem livres borboletas/E voar pelas estrelas...!/

Raimundo Santa Helena in O menino que viajou num cometa

Este último texto fez-me lembrar um texto meu Era uma vez …um planeta do livro “Era uma vez …ciência e poesia no reino da fantasia”, aconselhado no âmbito do PNL e que transcrevo a seguir

Era uma vez ….um planeta


Era uma vez uma nave espacial, era branca e tinha riscas pretas,

viajava pelo espaço sideral, entre estrelas, planetas e cometas.

Era uma vez um extraterrestre, vindo do espaço celeste

e que, há muito, na nave viajava. Tinha um ar estranho, bizarro,

pequeno era o seu tamanho e todo ele gingava.

Tinha umas grossas melenas e usava duas antenas

que ao vento estremeciam. Os olhos mais pareciam os faróis de um autocarro.

Aterrara num lugar, junto a um imenso mar. Era uma praia dourada,

banhada por um mar manso sempre em recuo e avanço.



De início não viu mais nada. Foi então que, de repente,

surgiu bem à sua frente um menino sorridente com uns olhos cor do céu

que, segundo a mãe dizia, constantemente vivia no reino da fantasia.

Ao ver o extraterrestre todo ele estremeceu.

Mas o extraterrestre, que vinha do espaço sideral,

explicou ao menino que não lhe queria fazer mal.

Contou-lhe então o que vira na sua longa viagem.

Já tinha visto cometas e estrelas aos milhões, bem cintilantes.

Uma era o Sol à volta do qual giravam,

alguns perto, outros distantes, nove distintos planetas.

Um deles, azul safira, era tão lindo de ver que logo o extraterrestre decidiu ali descer.

Fez então uma aterragem e assim pousou na Terra cujo nome não sabia.

Foi o menino quem o esclareceu, o tal menino de olhos cor do céu

e que, segundo a mãe dizia, constantemente vivia no reino da fantasia.

Fizeram boa amizade e, em pouco mais de um segundo,

o menino embarcou na sua nave. Lá foram o menino e o extraterrestre

que tinha grossas melenas e usava duas antenas.

Foram dar a volta ao mundo.

Viram uma montanha coberta de neve e, com cuidado, pousaram ao de leve.

Dos ramos das árvores a neve pendia e a paisagem, tão bela, até entontecia.

Tudo era sereno, tudo era tranquilo, apenas avistaram um gamo e um esquilo

que na neve brincavam. Na dita montanha, já quase no cimo,

nascia um fio de água que era muito fino.

Enquanto descia, engrossava o fio até se tornar num imenso rio.

Salgueiros nas margens davam sombra calma

e peixes de prata que na água saltavam, eram, do rio, a alma.

Era um belo rio muito cristalino que corria , corria para o seu destino lá longe no mar.

E a nave sempre, sempre, a vaguear

levando o menino e o extraterrestre de aspecto bizarro

cujos olhos lembravam faróis de autocarro.

Passaram por florestas densas e por planícies extensas, por cidades com largas avenidas

e por aldeias, em montanhas perdidas. Viram navios no mar e aviões pelo ar.

Viram o deserto, de dunas coberto, era muito belo mas com pouca vida.

Só viram camelos numa caravana bastante comprida.

Viram na savana tigres, elefantes, pacatas girafas de pescoços gigantes

e também um leão. Aves aos milhares cruzavam os ares,

cobras e lagartos, rastejavam no chão. Passaram por prados cobertos de flores

e de borboletas de múltiplas cores. Num imenso charco as rãs coaxavam

e flores de nenúfar, por cima boiavam. O céu era sempre um céu diferente

mas de rara beleza, ora azul safira, ora azul turquesa, ora muito escuro,

ora acinzentado, isento de nuvens ou muito nublado.

Por vezes cortava-o um arco de cor, era o arco - íris com o seu esplendor.

E a nave lá ia, nos céus vagueava levando o menino e o extraterrestre

que ao andar gingava.

Viram o sol nascente, viram o sol poente, uma maravilha sempre diferente.

Viram, estremunhada, a lua acordar e vaidosa a mirar-se num lago espelhada.

Mas o extraterrestre tinha que voltar, a hora da partida já estava a chegar.

O extraterrestre de tamanho pequeno, num voo sereno rumou ao destino

levando na nave o dito menino. Regressaram à praia de onde haviam partido

e já com saudades do que haviam vivido. Era a despedida.

Dos olhos do menino que eram cor do céu, uma lágrima tímida pelo rosto escorreu

e no extraterrestre tremiam, tremiam, as grossas melenas e as duas antenas.

Muito emocionado, pegou numa delas, deu-a ao menino.

Quando ouvires um hino que vem das estrelas, sabes que sou eu.

Comunica comigo.

Então o menino foi à beira mar encontrou uma alga da cor do luar, deu-a ao amigo.



Mesmo à despedida o extraterrestre disse para o menino:

Na minha vida fiz muitas viagens e nunca tinha visto tão belas paisagens.

Este é o planeta mais belo que eu vi e sabes porquê?

Tem água, tem ar, que permitem a vida. Se estragam a água, se estragam o ar

um dia o planeta vai-se transformar na terra do nada, uma terra perdida

onde nada se vê.




Tu que és um menino e que vais crescer

cuida do planeta, antes que comece a desfalecer.

Deram um abraço, muito apertadinho e o extraterrestre lá partiu sozinho

na nave redonda, branca às riscas pretas, em busca de estrelas e de outros planetas.

5 comentários:

  1. Esta históris já fez os encantos dos meus netos, assim como as ilustrações. Gostei da ideia dos livros presos com cordel nas paragens de autocarro, penso que seria uma ideia fantástica. Em tempos o British Council promoveu concursos de poesia em que os alunos faziam poemas para afixar no metro. O de Londres tem enormes posters só com poemas e quem vai lá dentro ou está nas paragens pode ler e cultivar-se ou simplesmente sonhar....é bom.

    Bjo

    Virgínia

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  2. Regina, apenas mais uma vez, PARABÉNS.

    Um beijo.

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  3. Obrigada às duas e um beijinho
    Regina

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  4. Fabuloso, Regina. Li-o três vezes. Uma boa Páscoa para si e para todos os seus. Um abraço.
    M.Céu Vieira

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  5. Maria do Céu
    Bem-vinda ao meu blog.
    Apareça mais vezes
    Um grande beijinho
    Regina

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