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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A magia do magnetismo…

(…)Todos os anos, pelo mês de Março, uma família de ciganos esfarrapados plantava a sua tenda perto da aldeia e, com um grande alvoroço de apitos e tambores, dava a conhecer os novos inventos.
Primeiro trouxeram o íman. Um cigano corpulento, de barba rude e mãos de pardal, que se apresentou com o nome de Melquíades, fez uma truculenta demonstração pública daquilo que ele mesmo chamava de a oitava maravilha dos sábios alquimistas da Macedónia. Foi de casa em casa arrastando dois lingotes metálicos, e todo o mundo se espantou ao ver que os caldeirões, os tachos, as tenazes e os fogareiros caíam do lugar, e as madeiras estalavam com o desespero dos pregos e dos parafusos tentando se desencravar, e até os objetos perdidos há muito tempo apareciam onde mais tinham sido procurados, e se arrastavam em debandada turbulenta atrás dos ferros mágicos de Melquíades. “As coisas têm vida própria”, apregoava o cigano com áspero sotaque, “tudo é questão de despertar a sua alma.” José Arcadio Buendía, cuja desatada imaginação ia sempre mais longe que o engenho da natureza, e até mesmo além do milagre e da magia, pensou que era possível se servir daquela invenção inútil para desentranhar o ouro da terra.
Melquíades, que era um homem honrado, preveniu-o: “Para isso não serve.” Mas José Arcadio Buendía não acreditava, naquele tempo, na honradez dos ciganos, de modo que trocou o seu jumento e um rebanho de cabritos pelos dois lingotes magnetizados. Úrsula Iguarán, sua mulher, que contava com aqueles animais para aumentar o raquítico património doméstico, não conseguiu dissuadi-lo. “Muito em breve vamos ter ouro de sobra para assoalhar a casa”, respondeu o marido. Durante vários meses empenhou-se em demonstrar o acerto das suas conjecturas. Explorou palmo a palmo a região, inclusive o fundo do rio, arrastando os dois lingotes de ferro e recitando em voz alta o conjuro de Melquíades (...)

(Gabriel Garcia Marquez em “Cem anos de solidão”

Esta ideia de que um íman atrai qualquer metal é vulgar nas crianças e também em muitos adultos. No entanto, basta aproximar um íman de um pedaço de chumbo, de alumínio, de ouro, de cobre, de prata para constatar quanto a ideia é incorrecta.

Também é vulgar a identificação da atracção de um clip por um íman com a atracção de pequenas partículas de papel por uma caneta friccionada na manga da camisola.

Thales de Mileto, matemático grego (~624 a.C. - ~546 a.C. ) descreveu as propriedades dos ímanes e da eletricidade estática, e considerou que os dois fenómenos tinham a mesma natureza. No século XVI, William Gilbert (1544-1603), fez uma distinção entre os dois fenómenos no seu livro De Magnete,  (sobre os ímanes, os corpos magnéticos e o grande iman terrestre) publicado em 1600


Ali descreve diversas experiências sobre magnetismo e electricidade estática. Com base nos seus estudos admitiu que a Terra se comportava como um magnete e seria esse o motivo pelo qual as bússolas têm servido para orientação desde há muitos anos. (Crê-se a bússola teve a sua origem na China, no século IV A.C.)

No século XIX a electricidade e o magnetismo passaram  a fazem parte de um mesmo corpo de conhecimentos - o electromagnetismo.Para isso contribuíram essencialmente os trabalhos de Oersted, Ampére  e Faraday.

Efectivamente Oersted verificou, pela primeira vez, que uma agulha magnética se “desnorteia” não apenas na presença de um íman mas também na presença de um circuito eléctrico
Por outro lado, Faraday verificou que num circuito fechado constituído apenas por uma bobina e um galvanómetro, é possível detectar a passagem de uma corrente eléctrica desde que se movimente adequadamente um íman junto da bobina

A magia do magnetismo levar-nos-ia muito mais longe mas hoje terminaremos Com as  borboletas migratórias e  as suas bússolas internas

Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010 (Ciência Hoje)

Dois estudos, recentemente publicados – um na «Science» e outro na «Nature» –, sugerem que aves e outros animais migratórios se regem pelo campo magnético terrestre para se orientarem e chegar mais depressa ao destino.
As borboletas que migram do Norte da Europa para o mediterrâneo, no Outono, como as Autographa gamma, por exemplo – e inversamente durante a Primavera –, não se deslocam ao sabor do vento; e o estudo original determina que estes insectos sabem como aproveitar rapidamente para viajar e corrigem o seu destino caso o vento não sopre de feição.
O artigo da «Science» indica que as borboletas têm uma espécie de bússola interna; já o texto da «Nature», acrescenta algumas explicações.
A equipa de Jason Chapman, do Rothamsted Research, BBSRC, G-B, desenvolveu radares para detectar a passagem de borboletas migratórias, desde centenas de metros de altitude. Os investigadores britânicos centraram, especialmente, o estudo em três espécies nocturnas e uma diurna. Uma das borboletas nocturnas viaja a mais de 400 metros de altitude. Os insectos migratórios deslocam-se em média a 54 quilómetros por hora, mas podem chegar aos 90 quilómetros por hora se o vento for forte – o que é mais do que a sua constituição lhes permite.
Estas boboletas podem chegar ao destino pretendido apenas após algumas noites. Durante a Primavera, os ventos sopram para Norte, segundo sublinham os investigadores, e isto facilita bastante o trajecto. Já no Outono, são orientados para Este, mas podem sempre corrigir a trajectória.
Um modelo usado em meteorologia para a dispersão de partículas na atmosfera permitiu confirmar que os caminhos preferidos pelas borboletas migratórias nem sempre dependem do vento. Segundo estes modelos, percorrem mais 40 quilómetros, devido à correcção feita.
Ainda Steven Reppert, da University of Massachusetts (EUA) decidiu estudar uma proteína fotorreceptora presente em insectos e vertebrados: o criptocromo. Nas borboletas monarcas (Danaus plexippus), que viajavam perto de quatro mil quilómetros por hora, entre a América do Norte e o México, esta proteína permite detectar o campo magnético terrestre.

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