Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A maçã de Newton....

"E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? (José Saramago )

Pois bem, vou começar com um poema para crianças de José Jorge Letria, in Corpos Celestes


A gravidade


Seria grave se não existisse a gravidade

e se tudo flutuasse sem peso e em liberdade,

Desde a maçã de Newton até ao jantar do abade.

Quando entre dois objectos deixa de haver atracção

é como se o mundo deixasse de ter coração,

Sem para tal haver razão





.



A propósito do 350º aniversário da Royal Society de Londres é agora dado a conhecer o manuscrito de «Memoirs of Sir Isaac Newton's Life»,  escrito por William Stukeley, em 1752, e que estava nos arquivos da referida sociedade. Nele aparece uma referência à queda maçã




















Referências a este assunto podem ser encontradas em vários fontes, nomeadamente em Ciência Hoje e Jornal Público

Independentemente da importância que a eventual queda da maçã terá tido na formulação da lei da gravitação Newton compreendeu que a força que faz cair as maçãs(ou quaisquer outros corpos para a terra) é a mesma que mantém a Lua em órbita à volta da Terra. Em 1665, Newton referiu :"Durante esse ano, comecei a estender a ideia de gravidade à órbita da Lua e fiz uma comparação entre a força que era necessária para manter esse astro na órbita e as forças de gravidade que agiam na superfície da Terra."

A experiência imaginada que a seguir se descreve ajudará a compreender a gravitação da lua "Suponhamos que alguém no pólo norte deixa cair uma pedra. Sob a acção da gravidade, cairá “aos pés” de quem a lançou. Mas se em vez de a deixar cair, a arremessar com uma certa velocidade horizontal a pedra cairá alguns metros adiante. Se se arremessasse a pedra com maior velocidade inicial ela cairia um pouco mais longe. Podemos imaginar (não esqueçamos que se trata de uma experiência imaginada) que a pedra era arremessada com tal velocidade inicial que iria cair ao nível do Equador e se a velocidade fosse ainda maior poderíamos conseguir que caísse no Trópico de Capricórnio ou cair exactamente no pólo sul!
E se a velocidade inicial fosse ainda maior? Pois bem a pedra viajaria pelo outro lado do mundo e terminaria por chegar à mão de quem a tinha lançado. Ou seja, a pedra tinha orbitado em volta da terra. É precisamente o que acontece com a lua!.



(imagem extraída de  Fiolhais .C. Física Divertida, Gradiva, livro cuja leitura se aconselha)

Durante muitos anos, dominados essencialmente pelas ideias aristotélicas, o homem acreditou num Universo cujo centro era a terra, imóvel no espaço e à volta da qual giravam os corpos celestes. Havia como que dois mundos, o mundo imperfeito e corruptível da Terra e o mundo perfeito e incorruptível dos Céus .

O difícil caminho percorrido pela ciência para a refutação de tais ideias tem em Galileu e Newton dois marcos incontestáveis.

Galileu(1564-1642) ao apontar a sua luneta para os Céus, viu crateras e montanhas na Lua , satélites em Júpiter, manchas no Sol, o que refutava por um lado a ideia da terra como centro do Universo e por outro a ideia de perfeição nos corpos celestes.

Newton (1642-1727) revolucionou a ciência desenvolvendo as leis do movimento e estabelecendo a lei da gravitação com carácter universal, aplicando-se a qualquer parte do Universo.

A lei da Gravitação Universal é uma das grandes generalizações efectuadas pela mente humana.
A este propósito Einstein terá referido


“Newton conseguiu explicar os movimentos dos planetas, luas e cometas, até os mínimos detalhes, assim como as marés e o movimento de precessão da Terra - uma realização dedutiva de magnificência única.”

Uma vez que a lei de gravitação de Newton se aplica a todos os corpos, o astrónomo inglês Halley(1656-1742) usou a referida lei para achar as órbitas de cometas. Tendo em conta observações de cometas em 1531, 1607 e 1682 identificou uma mesma órbita elíptica de grande excentricidade em torno do Sol, ligeiramente perturbada pela presença dos outros planetas, e que passa próximo da Terra de 76 em 76 anos. Com base neste cálculo, Halley previu que o cometa voltaria a passar próximo da Terra em 1758 o que efectivamente aconteceu. O cometa foi baptizado com o nome de Halley. Infelizmente não pôde ver comprovada a sua previsão; falecera em 1742.

Em 1781, o astrónomo Herschel descobriu o planeta Urano. Quando a comunidade de astrónomos soube do novo planeta, quis calcular a sua órbita de acordo com as leis de Newton. Urano parecia comportar-se de maneira um pouco diferente das previsões. Foi então sugerido que as discrepâncias observadas na órbita de Urano seriam causadas por um novo planeta, com uma órbita para lá de Urano e numa posição tal que a atracção gravitacional desse planeta sobre Urano produziria os efeitos observados. Le Verrier e John Couch Adams, jovens matemáticos, tendo por base a lei da gravitação, previram, com trabalhos independentes, a posição desse novo planeta. Disseram aos astrónomos para onde deviam apontar os seus telescópios e efectivamente  o novo planeta foi observado Foi baptizado com o nome Neptuno.

O grande poeta inglês Alexander Pope(1688-1744) disse:
"A Natureza e as Leis da Natureza estavam escondidas na noite. Então Deus disse: Faça-se Newton. E tudo foi iluminado".
Esta frase está inscrita no túmulo de Newton em Westminster.

2 comentários:

  1. Mais um grande post escrito por uma magnífica professora.Também gostei dos "anexos" que nos trazem muita informação e deixei o meu endereço em CIÊNCIA HOJE. Um abraço muito grande Regina.

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  2. Ciência Hoje é, sem dúvida, uma publicação muito interessante
    Bjs
    Regina

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